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Especialista critica licença do Ibama para exploração de petróleo na Margem Equatorial

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22 de outubro de 2025

A recente decisão do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) de conceder à Petrobras a licença para iniciar a pesquisa exploratória de petróleo na Margem Equatorial, no norte do país, provocou reação entre especialistas em meio ambiente e clima. O professor e climatólogo Carlos Afonso Nobre, referência internacional em estudos sobre mudanças climáticas e Amazônia, afirmou em comentário enviado à MyHood que a decisão representa um retrocesso ambiental e um risco elevado à biodiversidade e ao equilíbrio climático global. Segundo o pesquisador, a medida deveria ter sido reavaliada sob a ótica da emergência climática, considerando os impactos de uma nova frente de exploração de combustíveis fósseis. “O Ibama negou no passado e deveria continuar negando, não só pelo risco ecológico e de vazamentos de petróleo, mas também pela emergência climática que enfrentamos. Nunca o planeta esteve tão perto de pontos de não retorno, inclusive de perder toda a Amazônia”, afirmou Nobre. A licença obtida pela Petrobras permite o início imediato da perfuração no bloco FZA-M-059, em águas profundas do Amapá, a 175 quilômetros da costa e a 500 quilômetros da foz do Rio Amazonas. A estatal estima cinco meses de operação inicial, voltada à coleta de dados geológicos. A companhia garante que não haverá produção de petróleo nessa fase e que o processo seguiu “todos os requisitos ambientais exigidos pelo Ibama”. O órgão ambiental, por sua vez, informou que a autorização foi emitida após um “rigoroso processo de licenciamento”, com três audiências públicas, 65 reuniões técnicas e vistorias em campo. Entre as exigências, estão a construção de um centro de atendimento à fauna em Oiapoque (AP) e um novo simulado de emergência durante a perfuração. Apesar das medidas preventivas, o professor Carlos Nobre ressalta que o problema vai além do impacto local. Ele alerta que a continuidade da exploração de petróleo em novas áreas é incompatível com os compromissos climáticos internacionais. “Temos que zerar as emissões de gases de efeito estufa rapidamente. A queima de combustíveis fósseis representa hoje 75% dessas emissões. Se continuarmos explorando novos campos, em 2050 ainda estaremos lançando 9 a 10 bilhões de toneladas de carbono por ano. Isso levará o planeta a ultrapassar os 2 °C de aquecimento e a um verdadeiro suicídio ecológico”, destacou. Para Nobre, o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima deveria considerar também a dimensão climática das decisões. “Não podemos ter nenhuma nova exploração. O próprio nome do ministério já traz a responsabilidade de lidar com a mudança climática, e isso significa dizer não a novas fontes fósseis”, concluiu o especialista. Quem é Carlos Nobre Carlos Afonso Nobre é engenheiro eletrônico formado pelo ITA e meteorologista pelo Massachusetts Institute of Technology (MIT). Foi coordenador científico do Experimento de Grande Escala da Biosfera-Atmosfera na Amazônia (LBA) e chefiou o Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos (CPTEC), em Cachoeira Paulista. Reconhecido mundialmente, Nobre é pioneiro nos estudos sobre os impactos do desmatamento amazônico e das mudanças climáticas e atua como um dos principais defensores do desenvolvimento sustentável da Amazônia. Créditos: | @myhoodbr